

Para esta 3ª edição do seminário UP o tema escolhido é “Arte, Cultura e Criatividade como estratégias de promoção de desenvolvimento humano e prosperidade."
Este seminário propõe uma mudança de perspectiva: colocar a cultura, a criatividade e o talento
local no centro das estratégias de desenvolvimento econômico e social e como as empresas e organizações de fomento podem gerar valor. Em vez de tratar esses elementos como complementares ou acessórios, o encontro convida participantes a reconhecê-los como forças estruturantes capazes de gerar prosperidade sustentável, fortalecer identidades e ampliar oportunidades – especialmente em pequenas comunidades.
Ao longo da programação, serão discutidos caminhos concretos para transformar ativos simbólicos
em resultados econômicos consistentes. O debate parte do reconhecimento de que cada território possui repertórios únicos — saberes, práticas, histórias, linguagens e modos de fazer — que, quando valorizados e articulados de forma estratégica, podem impulsionar cadeias produtivas,
estimular o empreendedorismo e diversificar a base econômica local. Mais do que replicar modelos prontos, o seminário enfatiza a importância de construir soluções enraizadas na realidade de cada comunidade, respeitando sua vocação, seus recursos e sua visão de futuro.
Também serão abordados os desafios práticos para que iniciativas criativas se tornem sustentáveis: formação de competências, acesso a mercados, desenvolvimento de marcas territoriais, articulação de parcerias e design de programas de longo prazo. A proposta é discutir mecanismos que fortaleçam o protagonismo local e ampliem a capacidade das comunidades de gerar renda, atrair investimentos e criar oportunidades para as novas gerações, reduzindo desigualdades e estimulando a permanência no território.
A intenção é fomentar uma visão integrada, na qual desenvolvimento econômico e valorização cultural caminhem juntos, estruturando um modelo de prosperidade que combine identidade, inovação e inclusão.
O seminário terá 2 painéis, que abordarão assuntos diretamente relacionados ao tema do ano, com amplo espaço para perguntas, respostas e discussão coletiva, uma vez que é nosso objetivo construir conhecimento e ampliar a consciência de forma coletiva e compartilhada entre panelistas e participantes.
A série de seminários da Utopia Pragmática resulta em um artigo “vivo" que registra as contribuições e insights gerados a cada ano e serve de referência conceitual e aplicada para as empresas e investidores sociais interessados no tema (acesse aqui a 2º edição do artigo)
Painel da manhã
Cultura Não É Ornamento: É Estratégia
No Brasil temos a tendência de olhar a cultura através de uma forma estrábica, com um olho enxergando-a sob a perspectiva de entretenimento ao passo que o outro a observa como algo menor, geralmente associando as manifestações culturais como espasmos empobrecidos de expressão de comunidades vulneráveis. Isso é um sintoma de nosso padrão de colonialismo mental, que nos aprisiona numa crença de que seremos sempre uma caricatura mal feita de um país desenvolvido, quando na verdade não há nenhum país no mundo que valha a pena ser copiado, pelo óbvia razão de que existe apenas UM Brasil.
Por isso, precisamos construir nossa própria maneira de promover desenvolvimento social e econômico e o primeiro passo é unirmos forças em torno de um processo de longo prazo de reconhecimento e de valorização, poética e pragmática (“endurecer sem perder a ternura”), de nosso identidade, de nossa cultura profundamente diversa e preciosa, compreendendo que a cultura e criatividade brasileira, incluindo nosso “sivirismo” (nossa capacidade se virar), são um ativo com gigantesco potencial de posicionar o Brasil na condição de uma nação próspera, principalmente na perspectiva de uma prosperidade estruturada no bem estar de todos. E os melhores lugares para realizarmos esta transformação interna e externa está localizado nas pequenas e remotas comunidades.
Neste painel, vamos abordar a importância estratégica do investimento em arte, cultura e criatividade, dentro de estratégias de longo prazo para a construção de modelos endogenéticos de desenvolvimento humano e de prosperidade, com especial foco em comunidades, que coletivamente possam gerar processos de bem estar e de desenvolvimento social e econômico, estruturados no reconhecimento coletivo do valor de uma identidade nacional construída a partir da riqueza das diferenças.
Palestrantes
Tom Fleming
Dr Tom Fleming is a leading global expert on culture and the creative economy. As Director of strategic consultancy TFCC, he has led policy and development in over 70 countries and 200 municipalities. Clients include UNESCO, World Bank, Governments, cities and Institutions. Tom is Editor in Chief to UNESCO's first Global Report on Cultural Policies. He has worked extensively in Brazil, including creative industries research for the British Council and Sebrae. His work focuses on how culture and creativity are foundations for sustainable development and vectors for social technologies and innovation ecosystems. He is proud to partner with The Human Project in Sergipe.

Klaus Ib Jørgensen
Klaus Ib Jørgensen é um profissional dinamarquês com trajetória nas áreas de música, gestão cultural e cooperação internacional. Atualmente, atua como consultor sênior no Nordic Culture Fund, promovendo iniciativas de colaboração cultural.

Daniel Mira
Artista e pesquisador de inovação a partir da Natureza e das comunidades tradicionais, com mais de 30 anos de atuação no Brasil e no exterior. Fundador do NOUS Ecossistema, concebeu a metodologia Art Thinking, focada na inovação a partir da poiésis e do Imago para a criação de novos imaginários inspirados na Natureza.

Painel da tarde
Colaboração ou Morte!
A economia criativa é uma estratégia poderosa de desenvolvimento econômico para comunidades porque transforma cultura, identidade e talento local em ativos produtivos, gerando renda, empregos e oportunidades sem depender exclusivamente de grandes indústrias ou investimentos externos. Ao valorizar saberes tradicionais, expressões artísticas, patrimônio cultural e inovação, ela fortalece cadeias produtivas locais – do artesanato ao audiovisual, da gastronomia ao design – estimulando o empreendedorismo e mantendo a riqueza circulando no próprio território e criando oportunidades para que as novas gerações possam permanecer no território, reduzindo o êxodo rural e a concentração demográfica em grandes centros.
Mas é preciso conceber e implementar projetos que efetivamente representem oportunidades de transformação, compreendendo que modelos de projetos não funcionam e que precisamos pensar em programas, nos quais as comunidades sejam as principais protagonistas. E também é preciso considerar a necessidade de construção local de capacidades para inovação e design, bem como capacidades para apoiar os empreendedores em ações efetivas de comercialização, branding e parcerias.
Neste painel vamos abordar mecanismos existentes de fomento a iniciativas relacionadas à criativa economia, especialmente dentro de perspectivas de transformação real, e também os desafios e aspectos inovadores que precisam ser levados em consideração, para que estas iniciativas tenham maior chance de prosperar e se tornarem sustentáveis.
Palestrantes

Cláudia Leitão
Cláudia Leitão é professora, pesquisadora e especialista em economia criativa. Doutora em Sociologia pela Sorbonne, foi secretária da Cultura do Ceará e pioneira na formulação de políticas públicas para o setor. Atualmente, é secretária de Economia Criativa do MinC.
Patrícia Mayana
Patrícia Mayana é Gerente-adjunta da Unidade de Competitividade do Sebrae, onde atua desde 2000. Tem experiência em desenvolvimento de soluções para pequenos negócios, produtos de inteligência de mercados, soluções de inteligência de negócios e gestão de projetos. Graduada em Administração de Empresas e especialista em Analytics e Marketing.
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Heloísa Jardim
Com mais de 20 anos de experiência profissional no mercado financeiro, consultoria estratégica, saúde corporativa, sustentabilidade organizacional e educação, Heloisa Jardim já atuou em organizações como Delloite, Vale, Harvard e Exame.
Além da vasta experiência no setor privado, Heloisa tem uma sólida formação acadêmica em Finanças (COPPEAD), Sustentabilidade (UFRJ), Saúde Pública (HARVARD) e uma vivência social de campo no Brasil, Moçambique, Malawi, China, Sri Lanka, Camboja, Estados Unidos e México.
Este repertório multidisciplinar permite Heloisa trazer um olhar sistêmico para sua atuação no BTG Pactual, onde atua como Diretora Executiva de Impacto Social e FIlantropia.


Moderadora:Saulo Barretto
The Human Project
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Relatora: Ana Vitória Alkmim
Pesquisadora na UFMG e professora da Fundação Dom Cabral nas áreas de Estratégia e Educação Social.
Quando: 17 de novembro de 2026
Horário: das 9hs às 17hs (início do credenciamento e café às 8hs)
Onde: MIS - Museu da Imagem e do Som - Avenida Europa 158, São Paulo - SP
